22 de out. de 2008

As gerações e suas peculiaridades


A pacata cidade do interior estava em polvorosa aguardando o grande show do final de semana com a cantora Perla. A apresentação musical faria parte das comemorações à padroeira da cidade.

A pequena Paulinha foi passar o final de semana na casa do pai e chegou bastante entusiasmada comentando sobre a cantora. A pré-adolescente usava de vários artifícios tentando convencer a família a levá-la ao show e comentava com a namorada do pai:

- Lívia as músicas da Perla são super legais e ela dança assim olha – a garota de 11 anos requebrava o quadril e mexia o abdômen - imitando o ícone pop - enquanto tomava seu banho preparando-se para o grande show.

A namorada do pai, Lívia, de 36 anos, achou aquela dança muito estranha e comentou:

- Nossa, faz muito tempo que não vejo a Perla, mas acho que ela não dança assim não Paulinha, ela já deve ser avó e essa dança é muito moderna pra ela.

- Não Lívia, a Perla ainda nem casou, você vai ver, vai gostar do show.

E partiram para a praça da igreja, onde aconteceria a atração: Paulinha, o pai, a namorada dele e a avó paterna. O local estava repleto de gente, parecia que toda a cidade aguardava o grande momento.

Paulinha não agüentava mais tanta espera, até que o apresentador, chamado de Bigodão, anunciou a entrada da cantora!

A garota nem piscava, de olhos fixos no palco, com a máquina fotográfica posicionada para registrar cada passo de sua cantora preferida. De repente, uma senhora de longos cabelos negros cumprimentava o público com um sotaque estranho. Por alguns segundos, Paulinha ficou atônita, de boca aberta e olhar assustado, quando enfim, conseguiu falar:

- Cadê a Perla? Esta não é a Perla! – esbravejava a menina.

- Claro que é a Perla, Paulinha! – falava Lívia sem entender o motivo da decepção da garota.

- A Perla não é essa mulher e ela não canta essas músicas ridículas. Eu quero ir embora agora! – exigia aos prantos.

Após lamentar sem sucesso, a garota adormeceu sentada em uma cadeira e nem viu a apresentação musical. O pai e a namorada divertiram-se relembrando a infância e os nostálgicos anos 80, com suas cores extravagantes, os cabelos exagerados e as músicas bregas. A avó recordava a época em que suas crianças brincavam na rua, comiam frutas direto do pé e assistiam a Caverna do Dragão tomando Ki Suco. Época em que ela sonhava com o futuro dos filhos e imaginava como seria a sua velhice.


As Perlas

Pra quem não conhece ou não se lembra da cantora paraguaia Perla, veja o vídeo, de 1978, gravado naqueles autênticos programas de auditório, estilo Chacrinha, onde ela canta “Rios da Babilônia”, e preste atenção que o apresentador comenta: “aí vem uma mulher pra homem nenhum botar defeito”.
Já o nome da atual cantora pop é Perlla e a garota tem uns hits bem animados e cheios de gírias, como a música desse vídeo “Tremendo Vacilão”, ao estilo de seu público composto por jovens e adolescentes.

14 de out. de 2008

Mamma Mia: leve a vibrante!

Sabe aquele filme que te faz sair do cinema de alma leve, rindo à toa? MAMMA MIA! O FILME é um desses. Vi na semana passada e adorei!

Pra começar, a história acontece em um belíssimo cenário natural na ilha grega de Kalokairi. Acho melhor eu já adiantar: caso você esteja vivendo seu limite físico e emocional e se estressa até mesmo com a tia do cafezinho, é melhor você não assistir a esse filme, porque dá uma vontade louca de fazer as malas e sair de férias, no mínimo...

O longa é um musical embalado por deliciosas canções do ABBA, como Dancing Queen, Take a Chance on Me e The Winner takes it All. A sensação é de pura nostalgia!

A história é muito engraçada e pra completar traz um elenco interessante, estrelado por Meryl Streep e Pierce Brosnan (o inesquecível James Bond). Pra falar a verdade, nunca curti musical, sempre achei chato, maçante, mas fui seduzida pela graça deste longa, os personagens leves e despojados, as músicas vibrantes e dançantes e o cenário paradisíaco. Eu recomendo!

7 de out. de 2008

Imoral e ilegal

Pra entender esse texto é melhor você ler o anterior – Tempos modernos – que me inspirou a escrever sobre um tema sempre atual e pouco discutido, a homossexualidade.

Refletindo sobre o assunto, percebi que sempre que nos referimos sobre o universo gay, a primeira coisa que vem à cabeça é sexo. A situação vivida no texto anterior evidencia claramente isso.

Involuntariamente, o preconceito está embutido em nossa vida, quando menos imaginamos, ele se manifesta em idéias medíocres e ridículas.

Por que interpretar que se um gay gosta de criança ele é pedófilo? Quando na verdade ele poderia simplesmente gostar de criança! Com certeza, se o personagem fosse um heterossexual, a mensagem seria assimilada corretamente.

Cansei de ver pessoas se referindo a gays enquanto seres alienados, estritamente sexuais e promíscuos. Acho que qualquer pessoa tem noção de que a pedofilia é crime, isso sim é imoral e ilegal e deve ser denunciado e condenado por qualquer ser humano, independentemente da cultura, religião e filosofia de vida, o que infelizmente nem sempre acontece.

Dia desses vi na mídia o caso de uma menina, acho que de uns 10 anos, que dormia na mesma cama que a mãe e o padrasto e era violentada pelo homem, segundo a reportagem, quando a mãe dormia. Como é que essa mãe nunca percebeu o que acontecia, literalmente, embaixo de seus olhos!

Não tenho dúvida da conivência e irresponsabilidade desses pais que expõe suas crianças a situações desumanas, cruéis e sujas. Isso sim é um absurdo inadmissível!

Com situações tão podres que a cada dia contaminam ainda mais a sociedade, quem somos nós para condenar o amor, o mais singelo amor, vivido por pessoas adultas, que sabem muito bem o que querem da vida e têm total direito de decidir isso...