Há um tempo, em um sábado à tarde, em um desses encontros de amigas, estávamos tomando sol à beira da piscina, quando uma delas comentou:
“Maldita hora que as mulheres resolveram rasgar o sutiã. Agora, temos que ser, a todo custo, namorada ou esposa perfeita, mãe dedicada, dona de casa exemplar e, ainda por cima, profissional invejável, tendo que nos preocupar com constantes estudos e atualizações profissionais, mercado de trabalho e sustento da família. É muita responsabilidade! Acho que gostaria apenas de ser esposa, mãe e dona de casa...”
Uma recente pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) traz à tona um problema conhecido dos lares brasileiros, a dupla jornada feminina, representada pela atividade profissional e pelos afazeres domésticos, além da responsabilidade com os filhos, muitas vezes delegada exclusivamente à mãe. Infelizmente, ainda há pessoas que atribuem à mulher o compromisso com as tarefas domésticas e é nesse ponto que percebo o quanto os homens não evoluíram em alguns aspectos.
Desde a I e II Guerras Mundiais, quando os homens que voltavam, muitas vezes estavam mutilados e inválidos, as mulheres se viram obrigadas a assumir compromissos, antes restritos aos maridos, seja como empregada em determinadas funções ou levando adiante os negócios da família. Em seguida, veio ainda o desenvolvimento tecnológico e as primeiras leis trabalhistas, e as mulheres foram, aos poucos, sendo inseridas no mercado de trabalho, e, naturalmente, buscando estudos específicos e conquistando novas funções. Mas e os homens, por que não assumiram sua responsabilidade nas tarefas domésticas com a mesma energia e agilidade?
É fácil compreender a razão pela qual a mulher era tida como responsável em cuidar da casa e dos filhos, até meados do século passado, estas eram suas únicas funções, mas os tempos mudaram, e muito! Hoje em dia, a mulher não trabalha apenas por vaidade e conquista pessoal, na maioria das vezes, seu salário complementa a renda da casa, o sustento da família, os estudos e educação dos filhos. Com o custo de vida cada vez mais elevado, apenas o salário do homem não é suficiente para arcar com todas as despesas, isto quando o homem está trabalhando, caso contrário, a mulher assume toda a responsabilidade financeira.
Desde crianças, vivenciamos o preconceito carregado por séculos e séculos, os meninos não são estimulados a assumirem os compromissos domésticos, nem mesmo em tarefas simples, como arrumar seu próprio quarto ou lavar o copo que usou. Já as meninas, além de ajudarem nos serviços, ainda ganham de presente brinquedos como jogos de cozinha. O grande problema que vejo nisso tudo, é o fato dos homens nutrirem uma dependência em relação às mulheres. Eles não são incentivados a se “virarem sozinhos” e, muitas vezes, acham que a mulher tem como responsabilidade, “cuidar” de sua casa, de seus pertences, de sua vida... A pesquisa do IBGE indica que 83% das meninas entre 10 a 17 anos realizam tais tarefas, enquanto que entre os meninos, o índice é de apenas 47,4%.
Um dado interessante que percebi na pesquisa é que os homens com maior escolaridade assumem mais tarefas domésticas, e ao contrário, as mulheres com nível de instrução mais elevado, passam menos tempo nesse tipo de serviço, o que indica planejamento de vida, respeito e responsabilidade entre os casais de maior grau de instrução, porém, o problema persiste em famílias de baixa renda, onde as dificuldades financeiras são ainda maiores e as mulheres, geralmente geradoras do sustento da família, trabalham fora e assumem praticamente todas as tarefas de casa.
Por isso defendo: o homem ainda tem muito a evoluir! E esta não é nenhuma afirmação feminista, porque sou avessa a qualquer tipo de radicalismo inconsistente.
O melhor argumento vem da própria história, que nos apresenta as mudanças de comportamento entre homens e mulheres!
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19 de ago. de 2007
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