9 de abr de 2008

Nada é por acaso

O encontro

Léo apareceu no momento certo. Lívia estava em processo de mudança, vivendo aquela entre safra da vida, quando qualquer atitude parece improdutiva.

Aqueles lindos olhos castanhos, doces e assustados, foram suficientes para convencê-la a levá-lo pra casa. Já era tarde da noite, e o mais sensato foi colocá-lo pra dormir.

Na manhã seguinte, o primeiro passo foi levá-lo ao veterinário e fazer um check up no bichinho. Murilo (o veterinário) examinou-o e disse que estava tudo certo com o pequeno poodle, apenas receitou uns remédios preventivos, e após um demorado banho, com direito a escova e perfume, Léo já poderia ser visto como “um cachorro que tinha dona”.

O sonho

Há muito tempo Lívia sonhava em ingressar na carreira publicitária, e como havia se formado há menos de um ano, esse era o momento ideal, caso contrário, não conseguiria mais entrar na área e teria que se conformar com seu trabalho rotineiro e operacional em uma rede de fast food.

A idéia veio logo. “Que tal unir o útil ao agradável e pedir transferência pra cidade de Florianópolis, lá com certeza terei mais chances de atuar em minha área. A cidade é turística, deve haver muitas oportunidades de trabalho”. Este era seu segundo sonho... E lá foi Lívia, de malas prontas, cachorro na bagagem, decidida a conquistar seu espaço, mas sem imaginar o que a esperava...

Poucos meses de trabalho na ilha paradisíaca, em seguida, o susto: estava demitida. Sozinha, sem grana, sem o aconchego da família e o respaldo dos amigos, talvez essa fosse a oportunidade para buscar o que tanto desejava, um trabalho na área publicitária. Foi conhecer as possibilidades de agências na cidade, os veículos de comunicação, as empresas. Fez cursos, estudou, desenvolveu projetos, conheceu pessoas, mas nada de trabalho.

Tentou de tudo, apresentou os projetos a instituições, buscou estágio, procurou relacionar-se com pessoas da área, mas nada dava certo, e o trabalho não vinha. Quando tudo parecia ruim, veio a depressão, e Lívia não encontrava forças pra sair da cama.

O amigo

Neste momento, o pequeno Léo foi seu grande estímulo pra reagir. O poodle parecia perceber as dificuldades vividas pela dona, e dava sua contribuição exigindo que ela se levantasse, diariamente.

Todos os dias, impreterivelmente às 6h, Léo começava a resmungar, puxava o cobertor e latia, com isso Lívia era obrigada a sair da cama e abrir a porta para que ele fizesse suas necessidades no quintal. O mais interessante é que quando Lívia dava início a alguma atividade, Léo voltava para a cama e dormia...

O melhor amigo do homem teve um papel fundamental na vida de Lívia. Quando se sentiu sozinha, distante da família e carente de amigos, sabia que podia contar com a força de Léo, que nunca a deixava desistir!

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