30 de set. de 2007

Que venha a nova fase!

Amigos e pessoas do bem!

Minha vida é marcada por divisores de águas. Olho para trás e vejo exatamente os momentos em que tudo mudou, muitas vezes, de repente, sem aviso prévio, ou melhor, sem que eu tenha percebido esses avisos...

Acredito que a vida nos apresenta uns sinais bem sutis de quando devemos mudar de fase, mas nem sempre estamos preparados ou em sintonia para entender isso, e aí vamos adiando, e como sempre digo, se não é pelo amor, é pela dor que a vida nos impõe as temíveis ou desejadas mudanças. E mesmo que seja pela dor, depois da tempestade, vem a bonança, vem o sol!

Em todas as fases de minha vida, um fator sempre foi essencial, sempre estimulou meus passos e me fez reavaliar meus pensamentos, atitudes e decisões, o fator humano: as pessoas. Agradeço diariamente a cada pessoa que conheci, mesmo tendo uma passagem superficial, rápida ou tempestuosa, me deram a oportunidade de compreender a deliciosa diferença que existe entre o ser humano, que nos instiga a conhecer, a aceitar ou a repelir.

1º de outubro de 2007 será para mim um importante divisor de águas, o dia em que se concretizou o que eu tanto desejava, porém, temia. Que turbilhão de sensações! Medo, felicidade, desejo, ansiedade, alegria, euforia...

E vocês, pessoas da minha vida, estarão comigo, sempre! Nas nostálgicas recordações ou nas eternas fotos, nas importantes decisões ou no mais singelo gesto do dia-a-dia.

E pra finalizar, deixo a letra de uma música, interpretada pela dama do rock Rita Lee, que define parte de minhas sensações atuais.

Agora só falta você
Rita Lee - Luís Sérgio Carlini

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto a você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Saber o que?

E fui andando sem pensar em voltar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você

Pesquisando na net achei um vídeo com o trecho da música, bem antigo, massa!
Assim como no vídeo, estarei alçando novos vôos!
Que venha a nova fase!!!

19 de set. de 2007

Simpatizei com o bandido!

Preciso confessar algo, por mais que me incomode, tenho que admitir. Essa semana, estava assistindo a um filme quando percebo uma certa tendência da minha parte, ou melhor, uma pequena identificação, deixe-me explicar direito, na verdade me peguei torcendo pro bandido, isso mesmo, pro bandido!

Durante o filme, quase entrei em crise, ficava me culpando por curtir o personagem ilícito! O cara tinha algumas atividades ilegais, gostava de ganhar dinheiro fácil (mas também, quem não gosta?!), e por este e outros argumentos, percebi que o que me influenciava era o fato de o bandido ter um certo carisma, com atitudes que demonstravam sensibilidade e, dentro de suas atividades, parecia não prejudicar ninguém. Claro que o próprio filme já induzia a esta interpretação, porque no final o bandido se torna mocinho e aí, tudo acaba em pizza e todos vivem felizes para sempre.

Depois desse filme, comecei a questionar se na vida real não temos atitudes semelhantes. Se não acabamos nos acostumando com as atividades ilícitas de nossos governantes, com as propinas que rolam soltas, seja no executivo, no legislativo, no judiciário, na imprensa, no meio policial, entre funcionários públicos ou pessoas que detém informações importantes e se deixam corromper pelo dinheiro. Acostumados, minimizamos a responsabilidade ética dessas pessoas perante a sociedade civil, e se tudo acaba em pizza, é porque cada um de nós permite.

Certa vez, ouvi um comentário de que o grande problema da humanidade é que toda pessoa, sem exceção, sempre quer tirar alguma vantagem, sair ganhando da situação, seja conseguindo um desconto maior em um produto, adquirindo algo em uma promoção, trocando um carro ou pesquisando o melhor equipamento, porém, para alguém ganhar, uma outra pessoa sempre sairá perdendo, é fato!

Talvez esse seja o nosso problema, sempre tentando lucrar e levar vantagem em tudo, somos corruptos passivos e banalizamos a política aceitando crimes, traições, propinas, foro privilegiado, porque de certa forma, achamos tudo normal...

Mas voltando ao caso do bandido, o mais grave ainda não contei: o cara era ex-soldado e pra piorar ainda mais a situação, era ex-soldado americano, afffff, como pude simpatizar com isso!!!!!!!

13 de set. de 2007

Eu ouvi

Parece brincadeira, mas é a mais pura verdade, EU OUVI...

Um fervoroso cristão, nem vou citar a religião para não parecer tendenciosa, estava explicando a um conhecido como funciona a relação de submissão entre a mulher e o homem, segundo a lei de Deus, ou melhor, segundo sua interpretação da lei de Deus.

Dizia ele que a mulher deve prestar contas a seu marido, e este, presta contas diretamente a Deus.

Affffff. Coitada da mulher que não tem marido, fica sem comunicação com Deus...

12 de set. de 2007

A saga de seo Manoel e Pedro

A grande São Paulo, para seo Manoel, se resumia à meia dúzia de ruas, paralelas às poucas avenidas que cruzavam seu caminho rumo aos restritos lugares que freqüentava. Diariamente, rigorosamente, há mais de 25 anos, percorria o mesmo trajeto, chegava ao mesmo restaurante, entrava pelo mesmo corredor, escolhia a mesma mesa e ali saboreava seu almoço, em sua própria companhia.

A pequena mesa pouco iluminada encostada na parede, no canto direito do restaurante, era praticamente sua, afinal, há mais de 9 mil dias, compartilhava de sua presença, cheiro, anseio, humor...

Nas últimas três décadas, a capital paulistana havia mudado bastante. Novos povos migraram de seus estados de origem em busca de trabalho e oportunidades, muitas empresas e profissionais viram na promissora cidade infinitas possibilidades de crescimento, a arquitetura já não era a mesma com a pobreza rodeando a cidade, e o trânsito, parecia não adormecer, mas o pequeno restaurante freqüentado por seo Manoel, alheio a tudo isso, preservava as antigas características e ainda era administrado pela mesma família, para o conforto de um de seus clientes mais antigos.

No mesmo cenário, Pedro, um jovem do interior paulista, de aproximadamente 26 anos, recém formado em Publicidade e Propaganda, tirara o dia para um passeio na capital, a fim de conhecer alguns pontos históricos da grande cidade, como o Mercado Municipal, o Museu da Língua Portuguesa, além de famosos bairros e ruas paulistanas.

Após cumprir metade de seu trajeto, Pedro decide parar para o almoço e escolhe um pequeno, e aparentemente, tradicional restaurante em um conhecido bairro de São Paulo, a fim de provar as suculentas massas servidas pelas “mamas”. Ao entrar, caminha pelo corredor direito, onde parecia ter mais lugares vazios, e escolhe sua mesa. Olhando o cardápio, concentrado na decisão do melhor prato entre as deliciosas opções oferecidas, ouve uma voz, quase um grito de fúria:

- O que você está fazendo aqui?
Assustado, Pedro responde que estava escolhendo seu almoço.

Aparentando uns 65 anos, com um rosto marcado pela ação do tempo e expressivo pelas amarguras que carregava da vida, seo Manoel, arrogantemente responde que há quase 30 anos esta era sua mesa, pois era ele quem sentava nela todos os dias, neste mesmo horário, durante todos esses anos e ele [Pedro] não poderia estar ali.

O jovem tentava, em meio aos berros do rancoroso senhor, explicar que ele não se importava em sentar em outra mesa e estava ali, por não conhecer sua preferência. Mas nada adiantava, pois seo Manoel nem dava ouvidos.

Relatando a história, Pedro se mostrou surpreso como um senhorzinho com aparência tão frágil, que pelos anos de vida, poderia propagar sabedoria, demonstrava comportamento de uma pessoa insegura, arrogante e egoísta?!

É incrível como algumas pessoas traçam um único roteiro, acham que a vida deve seguir este script e não se permitem viver outras histórias, conhecer incríveis personagens e usufruir cenários diferentes. Apegam-se a uma rotina marcada por horários, lugares e lembranças e são intolerantes à possibilidade de mudança, novidade e conhecimento, passando por cima de qualquer pessoa, com um dos poucos sentimentos que lhes restam: amargura.

Por isso, “... eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”

5 de set. de 2007

Como diria Elis: “Eu quero uma casa no campo”

Gustavo quer trocar de videogame porque seus amigos compraram o Playstation 3.
Karina não quer mais seu aparelho de MP3 Player, e deseja agora o MP5.
João já trocou de celular este ano, mas não irá resistir ao novo modelo com câmera fotográfica de 3.2 MP.
Rafael conversou com a esposa, e juntos, decidiram comprar vários eletrodomésticos em 24 parcelas.
Fernanda deixou de tirar férias e utilizou o dinheiro na compra de um aparelho de TV de plasma.
Alice investirá suas economias na terceira cirurgia plástica.

Assim vamos comprando, consumindo, trocando, adquirindo, consumindo, comprando, adquirindo, trocando, consumindo, trocando, adquirindo, comprando ...

Infelizmente, não é muito difícil visualizar essas situações no dia-a-dia. Hoje mesmo, encontrei um amigo e falei sobre um programa de apresentação de fotos que estou precisando, aí ele comentou que tinha um, comprado há mais de dois anos, mas nunca havia instalado, portanto nem sabia se era legal e se supriria minhas necessidades.

Claro que em seguida solto a exclamação: O que?????? Você comprou esse programa há dois anos e ainda não instalou, porque comprou então?

Ele disse que é apaixonado por tecnologia e estava viciado em programas de venda pela TV. Um dia, vendo a propaganda do tal programa, achou fantástico e nem questionou se de fato precisava, apenas ligou e comprou!

Que fique bem claro, não sou contra tecnologia e nem tão desprendida das coisas materiais assim, apenas considero um exagero desejar sempre o último modelo de celular,
e ter como grande objetivo de vida o consumo exacerbado. Felizmente, atitudes como essa não recuperam auto-estima, não amenizam o sofrimento da solidão e muito menos estimulam a socialização...

Um dos grandes problemas potencializados pelo consumismo é a agressão ao meio ambiente. Compramos um novo produto, mas nem nos preocupamos em planejar o que fazer com o antigo, verificar se pode ser aproveitado por outras pessoas ou descartar em lugares corretos. A cada troca de material, novas árvores são derrubadas, rios poluídos, matas queimadas e desmatadas, resíduos despejados na natureza, criando um círculo vicioso de consumo e poluição.

A doação também é outro hábito que ficou muito longe de nossa realidade, contraditoriamente, porque com o consumo em alta, deveríamos exercitar melhor o espírito de solidariedade.

E enquanto isso:
Valquiria deseja o que Márcia tem, e esta planeja comprar o mesmo modelo de Alberto, que enlouqueceu ao saber que Alessandra fora a primeira a adquirir o lançamento, porém que não apresenta um bom desempenho e será trocado pelo novíssimo design que chegou às prateleiras dos Estados Unidos essa semana ...