16 de mai de 2009

A vida não para


Ela me persegue. Maldita insônia! Já faz um tempo que toda noite é aquele ritual. Passar óleo de amêndoa no umbigo (dizem que é um santo remédio pra dormir feito anjo, só não funciona comigo), tomar um chá quentinho, passar uns 300 cremes para as mais variadas partes do corpo, relaxar e, quando estou quase lá, praticamente em Estado Alfa, sou abruptamente despertada do paraíso por uma mensagem no celular, santa tecnologia.

À 1h26, em plena madrugada de terça-feira, a mensagem da amiga dizia “olha o seu Orkut”. Ai meu Deus! Viro do lado e finjo que foi um sonho. Tento voltar ao tão sonhado estado de quase meditação, ao transe hipnótico anterior ao desejado sono profundo, mas já era tarde, a única informação que passava pela minha mente era “olha o seu Orkut”.

Não é possível. Isso é ridículo! Acordar agora, levantar da cama, ligar o computador, entrar no Orkut só pra ver uma mensagenzinha que eu nem sei se vale a pena? Não vou fazer isso! Tenho autocontrole e vou esperar até amanhã de manhã!

Mas e se for aquelas mensagens obscenas deixadas por aquelas comunidades pornográficas que queimam o nosso filme em rede mundial? Ah mas se for isso todo mundo já sabe que é spam, vírus, lixo eletrônico e ninguém vai ser inocente ao ponto de achar que a mensagem é direcionada a mim. É verdade!

Hum mas o texto dizia “olha o seu Orkut”, e nem terminava com um “beijo”. Estranho. Porque sempre concluímos nossas mensagens dessa forma. Estou começando a achar que o assunto é sério. Sei lá, vai que o cachorro da Déia morreu; o Re teve um ataque de alergia; a Pri fraturou a clavícula; a Mo engoliu uma moeda! Mas também, acho que não poderei fazer muita coisa a essa hora. Melhor desencanar e tentar dormir. Mas como?

“Olha o seu Orkut”, “olha o seu Orkut”, “olha o seu Orkut”. Nem travesseiro na cabeça resolve essa imposição mental. Por que não desliguei esse celular antes de dormir? Ai amiga você me paga. Se a mensagem não valer a pena, você me paga!

É o que dá esse universo virtual que a gente se mete. Não damos conta nem dos compromissos reais, ainda temos que nos preocupar dia e noite com as mensagens de e-mail, as informações nos grupos de discussões, os recados do Orkut, os comentários nos Blogs, as atualizações do Flickr, os acessos aos vídeos postados no You Tube.

E não para por aí, todo dia é convite que chega pra “criar um perfil” naquele site de relacionamento, porque “todos os seus amigos estão por lá”. É um novo programa que oferece agenda e atualizações de amigos. Um outro que promete organizar suas pastas de fotos. Uma tecnologia que permite filtrar todas as notícias que você quer ver. Ai, ai, ai, se você perder as suas senhas, se esquecer os logins. Será como perder um braço, deixar de respirar por alguns minutos, ter dez graus de miopia (ainda bem que pra isso tem cirurgia a laser).

Dia desses li em algum site, desses de fofoca de celebridades, que a bela atriz Jennifer Aniston terminou seu namoro porque o cara dizia não ter tempo pra ela, porém passava horas postando no Twitter. E o pior é que isso vicia mesmo!

E esse mundo virtual que não para. Eu preciso dormir.

Maldita insônia. Santa tecnologia. E em menos de um minuto eu já estava plugada no Orkut, antenada nos recados, inteiramente informada do que acontecia com a minha vida virtual.

E o recado?
Ah é o recado...
Se era importante?
Me fez dormir profundamente...

2 comentários:

Luiz de Araujo Junior disse...

Eu tenho insonia se desligar o celular.
Verdade!
Não consigo dormir pensando que alguem pode estar querendo falar comigo desesperadamente..
Hehehe.
Coisa de louco.

Pablo Tulio disse...

Aaaa... que legal Sandra! Muito bem escrito, adorei!
E o que estava escrito no orkut que te fez dormir profundamente?
A curiosidade mata, sabia?